A delação bilionária de Dario Messer também envolve o Paraguai. Fazem parte do acordo de colaboração premiada sete terrenos e fazendas no país, o que pode garantir parte dos valores devolvidos para o Paraguai. Nessas fazendas, Messer tinha grande produção agrícola e criava centenas, talvez milhares, de cabeças de gado. Um apartamento avaliado em cinco milhões de dólares, em Nova York, nos Estados Unidos, e uma cobertura entraram no acordo com Justiça, Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal. Obras de arte, como quadros e pinturas, também foram incluídas na colaboração que prevê a devolução de R$ 1 bilhão.

A expectativa é que Dario Messer entregue provas e nomes de políticos, empresários e empresas que usaram seu serviços para movimentar recursos no exterior ao longo de anos. O procurador Almir Sanches, do Ministério Público Federal, da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro falou à Jovem Pan nesta quinta-feira, 13, sobre esse histórico acordo de colaboração premiada com Messer. “Essas fazendas, o tramite burocrático vai ser um pouco mais complexo, vai ter que existir uma cooperação entre os dois países provavelmente. Então talvez parte dos valores tenha que ficar com o Paraguai também. A tendência é essa, que as fazendas sejam leiloadas, convertidas em valores líquidos e então haja algum acordo entre os dois países para que parte fique com o Paraguai e parte retorne ao Brasil”, explicou. Além de devolver toda essa fortuna, Dario Messer ainda se comprometeu a cumprir uma pena de mais de 18 anos de reclusão.

Entenda o caso

A Justiça do Rio de Janeiro homologou na quarta-feira, 12, um acordo de delação premiada com o “doleiro dos doleiros”, réu de processos da Operação Lava Jato no Rio por esquemas nacionais e transnacionais de lavagem de dinheiro e outros crimes. Messer terá que devolver mais de 99% do seu patrimônio aos cofres públicos. Os bens incluem imóveis e valores no Brasil e no exterior, além de obras de arte e um patrimônio no Paraguai ligado a atividades agropecuárias e imobiliárias, que deverão fundamentar um pedido de cooperação com as autoridades do país vizinho para sua partilha. Em abril, Dario Messer teve concedido pelo Superior Tribunal de Justiça o direito a prisão domiciliar. O doleiro está detido em casa com tornozeleira eletrônica. Ele teve mandado de prisão decretado em maio de 2018, na Operação “Câmbio, Desligo”. Foragido, ele foi capturado em julho de 2019.

*Com informações do repórter Rodrigo Viga