Após encontros de ossadas de vítimas da milícia em Queimados, polícia pede exames de DNA às famílias

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Objetivo é auxiliar na identificação das vítimas. Crânio humano foi encontrado com aparelho dentário com borrachinha vermelha. Ossos foram encontrados a 14 metros de profundidade.

Ossos humanos foram encontrados enterrados a 14 metros de profundidade em Queimados; polícia tem certeza que são vítimas da milícia — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Ossos humanos foram encontrados enterrados a 14 metros de profundidade em Queimados; polícia tem certeza que são vítimas da milícia — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Ossadas de vítimas de uma milícia que atuava em Queimados, na Baixada Fluminense, estão sendo analisadas para identificação pela Polícia Civil do Rio. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense já pediu a duas famílias de vítimas da organização criminosa que façam exames de DNA para auxiliar no processo.

A polícia estima que pelo menos uma das vítimas que pode ser identificada em breve morreu em 2016, quando a milícia começou a atuar nos condomínios do Minha Casa Minha Vida em Queimados.

Um dos crânios encontrados estava com um aparelho dentário com uma borracha vermelha. O delegado responsável pela investigação, Leandro Costa, afirma que isso pode auxiliar na identificação.

As ossadas serão enviadas para um perito antropólogo. Pelas características encontradas, a perspectiva é de que sejam ossos de homens.

Poço é muito profundo e trabalhos da Polícia Civil foram dificultados nos últimos dias — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Poço é muito profundo e trabalhos da Polícia Civil foram dificultados nos últimos dias — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Além de roupas, chinelos e botas, foram encontrados diversos ossos humanos nos trabalhos realizados na quarta-feira e na quinta, realizados com a ajuda de uma retroescavadeira. O poço, segundo policiais, tinha profundidade estimada em até 14 metros.

Na quarta e na quinta, a polícia realizou mais uma etapa de escavações em um local onde dois corpos já haviam sido encontrados no dia 19 de julho, um deles decapitado. As vítimas foram mortas pela milícia “Caçadores de Ganso”, a golpes de facão no porta-malas de um carro, poucas horas antes de uma operação que prendeu a cúpula da organização criminosa.

O perfil das vítimas do grupo segundo o delegado Moises Santana, titular da DHBF, começou com possíveis suspeitos de envolvimento com o tráfico em Queimados.

“Eles buscam matar pessoas envolvidas com crimes de roubo, traficantes. Só que nisso eles matam usuários, pessoas que andavam com usuários. Eles matam quem eles acham que tinham a ver com o crime. Eles buscavam fazer uma limpeza social”, detalhou Santana, no dia da coletiva da operação da Polícia Civil e Ministério Público.

Depois, no entanto, com o poder estabelecido nos condomínios do programa Minha Casa, Minha Vida, houve mortos por desavença, brigas por causa do envolvimento com mulheres e até mesmo por simples demonstrações de poder.

Camisa preta foi encontrada enterrada junto com ossadas de vítimas da milícia em Queimados — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Camisa preta foi encontrada enterrada junto com ossadas de vítimas da milícia em Queimados — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Em agosto, outras ossadas foram encontrados no mesmo município. Uma perícia foi realizada para saber se pertencem a quatro vítimas diferentes.

Os ossos, de diversas partes do corpo, são humanos, e foram encontrados de forma espalhada em uma área de mata, dentro de um poço profundo que foi aterrado no bairro Parque Sarandi.

Só na Baixada Fluminense, foram 8 corpos encontrados em Belford Roxo e outros 6 em Queimados entre julho e agosto. A suspeita é que todos sejam vítimas de milícias que atuam na região.

Caçadores de Ganso’

A polícia investiga se as vítimas foram mortas e tiveram seus corpos enterrados pela milícia conhecida como Caçadores de Ganso, que atuava no município.

O G1, em julho, mostrou que o grupo já tinha pelo menos 23 vítimas identificadas, mas que o número de mortes podia chegar a quase 100.

Vinte e sete suspeitos de integrar essa milícia, incluindo o vereador de Queimados, Davi Brasil Caetano, foram presos no dia 18 de julho, em operação conjunta do MP-RJ e da Polícia Civil.

O grupo chegava a receber “encomenda” de mortes por redes sociais e lucrava até com a venda de Kit-Churrasco em condomínios do programa “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal.

Em 2016, a cidade foi considerada a mais violenta do mundo, de acordo com o Atlas da Violência. A Polícia Civil e o MP acreditam que a atuação da milícia contribuiu para a taxa de 134,9 mortes para cada 100 mil habitantes.

Vereador eleito pelo PTdoB e ex-secretário de Defesa Civil de Queimados, Davi Brasil Caetano, foi preso em casa suspeito de liderar milícia na região — Foto: Reprodução / TV Globo
Vereador eleito pelo PTdoB e ex-secretário de Defesa Civil de Queimados, Davi Brasil Caetano, foi preso em casa suspeito de liderar milícia na região — Foto: Reprodução / TV Globo

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