Abdon Murad Júnior explica como manter o seu peso

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Para muitas pessoas, emagrecer é fácil. Basta cortar alguns alimentos, evitar os doces e dar uma corridinha na praia para ver os quilos sumirem., essa é a dica do médico Abdon Murad Júnior

Manter o peso é que costuma ser outra história. Pesquisas feitas pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, mostram que até 80% das pessoas que emagrecem recuperam os quilos perdidos em um período de cinco anos.

“A segunda principal causa de morte no mundo é um problema multifatorial, que precisa ser combatido em diversas frentes.” Explica Abdon Murad Júnior.

Mesmo que estudos avancem em relação aos tratamentos contra doenças desafiadoras, como o câncer por exemplo. O homem atual se vê ameaçado por um elemento sem o qual não se vive: a comida industrializada.

Mas para a sobrevivência de todo o ser humano, o ideal são alimentos saudáveis. E atualmente, essa realidade está muito longe.

Segundo Abdon Murad Júnior, a epidemia de sobrepeso/obesidade já afeta 39% da população adulta e 18% das crianças e adolescentes entre 5 e 18 anos, com consequências consideradas devastadoras para a saúde.

Algumas estimativas indicam que o excesso de peso é a segunda causa de morte no mundo, perdendo apenas para as doenças associadas ao tabagismo.

Com a maioria das estratégias de contenção do problema até agora infrutíferas, especialistas, governos e associações buscam novas soluções capazes de, ao menos, reduzir parte dele.

A Organização Mundial  da Saúde (OMS), que desde 2004 tem ações específicas de combate à obesidade, agora declarou guerra à gordura saturada, aquela presente em alimentos de origem animal.

“Com base em 15 anos de produção científica, a ingestão de gordura por crianças e adultos por dia deveria representar, no máximo, 10% das necessidades diárias.” Complementa Abdon Jr.

Para Abdon Murad, ele explica que são muitos os motivos que fazem uma pessoa voltar a engordar.

Existe todo o tipo de situação. Desde a perda de identidade após um processo agudo de transformação pessoal pela eliminação de muitos quilos à “sabotagem” por parte do cônjuge que começa a ficar intrigado com o por que de tanta determinação e preocupação estética repentina do parceiro.

Porém, afirma o médico, a maioria absoluta dos casos de sanfona está relacionado ao fato de que poucos tratamentos trabalham com o metabolismo corretamente, e pouquíssimas pessoas levam o que aprenderam na dieta para o resto da vida. Quem emagrece com a ajuda de remédios também costuma voltar a engordar com mais facilidade, alerta o médico.

Alimentos ultraprocessados são os vilões para a recuperação dessa doença. Outra vertente seria o comportamento alimentar.

É muito comum as pessoas comerem rápido, sozinhas e com celular na mão. Estudos mostram que comendo com família ou amigos, a pessoa presta mais atenção no que está comendo.

“O tratamento contra a obesidade deve ser muito mais do que uma questão de aparência. Quando falamos sobre os processos ao combate dessa epidemia, estamos falando sobre gerar saúde.” Diz Abdon Murad Júnior.

Essa vulnerabilidade social muitas vezes obriga pessoas a trocarem alimentos de qualidade por alimentos mais fáceis. A consequência disso é o crescimento de doenças que envolvem o tema da obesidade.

O paciente tem que ter uma determinação absoluta e inabalável do que se quer como objetivo de vida e entender a transformação profunda que se seguirá. Um dieta que não leva em consideração uma reeducação alimentar também está fadada ao fracasso.

Como não existe fórmula mágica para manter o peso, o ideal é ser vigilante. Diversos estudos comprovam que as pessoas que emagrecem e não voltam a engordar fazem duas coisas: checam o peso na balança pelo menos uma vez por semana e fazem ao menos uma hora de exercício quase todos os dias.

– Sempre coma o café da manhã: O hábito de não comer nada na primeira refeição do dia é péssimo. Além de deixar o metabolismo mais lento, o apetite fica voraz no fim do dia. Quem não sente fome pela manhã pode optar por um lanche pequeno, como um iogurte e uma fruta ou um torrada com queijo.

– Mantenha um diário alimentar: Anotar tudo o que entra no prato pode parecer uma tarefa insuportável, mas é a que mais dá resultados, já que você consegue ter uma ideia melhor de tudo o que (não) comeu. O hábito também ajuda quem costuma esquecer de comer frutas e verduras.

– Não exagere nos alimentos light ou diet. Prefira os naturais: Segundo os especialistas da ADA, muitas pessoas exageram nas porções quando o rótulo diz que há a redução de açúcar o gordura. Estes produtos também costumam ter mais aditivos químicos, que podem prejudicar o equilíbrio hormonal a longo prazo.

– Fique amigo da balança: Não saber o seu peso é uma forma de negação, alerta a equipe da ADA. Estudos comprovam que pessoas que perderam mais de 15 quilos e conseguiram manter o resultado se pesavam diariamente. Se a balança assusta ou causa ansiedade, confira seu peso apenas uma vez por semana, de preferência no mesmo dia e horário.

– Faça exercícios: Não tem jeito. Para manter o peso perdido é preciso malhar. O ideal é se exercitar por cerca de uma hora, cinco vezes na semana, para não ver o ponteiro da balança subir novamente.

Desta forma, políticas públicas em obesidade devem ser urgentemente discutidas e implementadas, e apresentam atualmente diversos caminhos:

1. Sobretaxar alimentos com adição de açúcar branco, farinha branca, gordura saturada, refrigerantes, entre outros;

2. Subsidiar alimentos saudáveis (hortaliças, legumes, frutas, alimentos 100% integrais, carne branca);

3. Campanhas maciças de conscientização da obesidade, em proporções muitas vezes maior do que existe hoje;

4. Aumento de oferta de alimentos saudáveis em mais fácil acesso a toda a população;

5. Proibição da propaganda e de marketing de alimentos calóricos e não saudáveis;

6. Educação médica para todos os profissionais da área, parar que todos estejam aptos a tratar devidamente, porque somente 2% dos pacientes com obesidade recebem tratamento hoje; dada a altíssima prevalência de sobrepeso e obesidade, já não se trata mais de uma doença a ser abordada por especialistas, mas sim por todos os médicos.

Estas possibilidades não são excludentes; pelo contrário, devem agir em conjunto pois somente desta forma teremos um combate possivelmente eficaz contra obesidade. 

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