O sepultamento de Mel Rhayane Ribeiro Jesus aconteceu no cemitério São Francisco Xavier, no Caju. Segundo peritos, lesões apontam que a garota era constantemente amarrada e chicoteada.

Mel Rhayane morreu ao não suportar tortura do pai, que foi preso — Foto: Redes sociais
Mel Rhayane morreu ao não suportar tortura do pai, que foi preso — Foto: Redes sociais

O corpo de Mel Rhayane Ribeiro Jesus, de 6 anos, foi enterrado na tarde desta segunda-feira (5), por volta das 15h, no cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Mel morreu na última sexta-feira (2) após ter sido torturada pelo pai, Rodrigo Jesus da França, de 25 anos, que confessou o crime. Ele admitiu que deixava a filha amarrada em casa.

A Delegacia de Homicídios da Capital do RJ (DH) prendeu no último sábado (3) o pai e a madrasta da criança, Juliana Mayara Brito da Silva, que negou ter batido na menina, mas foi presa por omissão.

O advogado Pedro Dias, que representa a família materna de Mel, disse que espera que as investigações possam levar à condenação de Rodrigo e Juliana.

“A família vai passar por esse luto e vai buscar na Justiça a condenação, se possível trabalhando como assistente de acusação desse processo, produzindo todo tipo de prova para a condenação”, disse o advogado.

Mel Rhayane morava com o pai e a madrasta na comunidade da Cachoeirinha, no Lins. Vizinhos afirmam que Rodrigo chegou a atirar a filha de uma ribanceira.

Rodrigo e Juliana têm ainda dois filhos: uma de 2 anos e um bebê de 5 meses.

Na sexta-feira, a menina chegou morta ao Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins de Vasconcelos, Zona Norte do Rio. As graves lesões chamaram a atenção dos médicos, que acionaram a polícia.

Rodrigo Jesus da França, pai de menina torturada, será levado para unidade prisional — Foto: Henrique Coelho/G1
Rodrigo Jesus da França, pai de menina torturada, será levado para unidade prisional — Foto: Henrique Coelho

Horror

Peritos constataram diversas lesões no corpo de Mel Rhayane: a falta de um pedaço da orelha, lesões nas costas e úlceras no tornozelo e mãos.

Segundo a polícia, as úlceras mostram que a menina era constantemente amarrada e chicoteada. Os peritos também indicaram que as lesões são antigas. Mel Rhayane também apresentava sinais de desnutrição.

A criança foi inclusive retirada da escola para que os ferimentos não fossem notados, segundo a polícia.

À polícia, o pai explicou que mantinha Mel Rhayane presa e amarrada para corrigir um suposto comportamento sexual da menina. Ele contou que usava uma colher esquentada no fogo para agredi-la.

Ao ser questionado pelos jornalistas, Rodrigo disse que as lesões apresentadas no corpo da filha não eram de tortura.

“Ela botou a mão na minha filha de 2 anos, eu dei uma surra nela. Ela caiu no chão, não fui eu que joguei ela no chão, doutora”, disse ele antes de entrar no carro da Polícia Civil para ser levado para um presídio.

Segundo Rodrigo, o atual companheiro da mãe de Mel Rhayane, Fernanda, a estuprou. Desde então, deixava a filha escondida em casa e até a impedia de ver a meia-irmã.

Rodrigo Jesus de França confessou o crime; Juliana Mayara Brito da Silva foi presa por omissão — Foto: Reprodução/PCERJ
Rodrigo Jesus de França confessou o crime; Juliana Mayara Brito da Silva foi presa por omissão — Foto: Reprodução/PCERJ

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