Sobrevivente de atropelamento dentro de bar em Irajá recebe alta após 5 meses: ‘Eu tinha uma vida que não terei mais’

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Luziet de Oliveira e a mãe, que acabou morrendo, foram atropeladas em fevereiro. Homem que as atropelou pagou fiança e foi liberado.

Luziet de Oliveira e a mãe, Carmen Lúcia, que estavam em um bar em Irajá quando foram atropeladas — Foto: Luziet de Oliveira/ Arquivo pessoal
Luziet de Oliveira e a mãe, Carmen Lúcia, que estavam em um bar em Irajá quando foram atropeladas — Foto: Luziet de Oliveira/ Arquivo pessoal

A noite do dia 17 de fevereiro parecia ser perfeita para Luziet de Oliveira, de 35 anos. Ela estava em um bar em Irajá, na Zona Norte do Rio, com familiares e amigos, quando foi atropelada por um carro desgovernado. Após passar quatro meses e 25 dias internada, ela voltou para casa na última sexta-feira (12). O motorista que provocou o acidente responde ao crime em liberdade.

A mãe de Luziet, que estava no bar, chegou a ser levada para o hospital, mas acabou morrendo. O homem que as atropelou pagou fiança e foi liberado.

“Eu tinha uma vida que eu não vou ter mais. Fiquei muito tempo acamada. Sinto muitas dores e tomo muitos remédios. Preciso de ajuda para tudo”, explicou.

Em entrevista, Luziet contou que estava em família, tomando uma cerveja e conversando. De repente, aconteceu o atropelamento, mas ela não se lembra do impacto.

Ela acordou dias depois, no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, também na Zona Norte, onde passou todo o tempo de internação.

“Acordei no CTI, tinha passado por uma cirurgia. Acordei assustada, com um ferro na perna. Eu não estava entendendo. Eles [os médicos] me sedaram, porque eu estava agitada”, contou Luziet.

Oito cirurgias

A mãe dela, Carmen Lúcia de Oliveira, de 56 anos, também foi atropelada e levada para a mesma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 21 de fevereiro.

Luziet demorou a saber da morte da mãe, pois os familiares temiam que a notícia prejudicasse seu estado de saúde e o tratamento. Ela passou por um total de oito cirurgias. Só que a falta de informações começou a incomodar.

“Eu perguntava por ela todos os dias, pedia para mandar recado. Quando fui transferida do CTI para a enfermaria, a minha tia e a minha irmã, com a junta médica, me contaram”, revelou.

Passar pelo processo de recuperação sem a presença da mãe faz com que ela pense no atropelamento todos os dias.

“Eu nunca tive um resfriado sem a minha mãe do meu lado. Ela sempre cuidou de mim, ela sempre cuidava de todo mundo”, ressaltou.

Carro invadiu bar e derrubou toldo — Foto: Reprodução/Redes sociais
Carro invadiu bar e derrubou toldo — Foto: Reprodução/Redes sociais

Sem habilitação

O homem que atropelou Luziet e a mãe, identificado como Hugo de Sena Barbosa, de 20 anos. Ele não tinha habilitação e testou positivo para a ingestão de álcool. Segundo testemunhas, Hugo tentou fugir do bar onde aconteceu o acidente, mas foi contido por clientes e acabou preso em flagrante.

Hugo foi solto após pagar fiança de um salário mínimo (R$ 998) estipulada pela Justiça.

“Eu penso muito nisso, na revolta que dá. No país que a gente vive, o crime acontece porque as pessoas sabem que não dá em nada. A gente não estava no meio da rua. Mas em um bar, em um lugar onde ele não poderia nos atropelar”, destacou Luziet.

A decisão afirma que o condutor confessou que não possuía habilitação e pegou o carro da mãe escondido. Em sua defesa, ele afirmou que um outro veículo entrou em sua frente e ele girou o volante, perdendo o controle do automóvel. E que teria tentado fugir do local pois tinha medo de ser linchado.

O magistrado levou em consideração que ele “possui residência fixa e ocupação lícita”. Atualmente, ele responde ao processo em liberdade por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor.

Luziet foi recebida com festa pela família ao voltar para casa, na Zona Norte do Rio — Foto: Luziet de Oliveira/ Arquivo pessoal
Luziet foi recebida com festa pela família ao voltar para casa, na Zona Norte do Rio — Foto: Luziet de Oliveira/ Arquivo pessoal

Com a vida parada, atualmente ela continua com um fixador na perna direita e tenta aprender a conviver com os efeitos de uma fratura no joelho esquerdo, que não voltará mais a dobrar.

Luziet ainda convive com um fixador na perna direita e tenta se acostumar com a falta de mobilidade na perna esquerda — Foto: Luziet de Oliveira/ Arquivo pessoal

Luziet ainda convive com um fixador na perna direita e tenta se acostumar com a falta de mobilidade na perna esquerda — Foto: Luziet de Oliveira/ Arquivo pessoal

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