MPF aponta que uso do tatuzão nas obras da Linha 4 do metrô deixou orçamento mais caro

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Alterações no trajeto encareceram em mais de 11 vezes o valor da obra. Em 1998, projeto foi orçado em R$ 880 milhões, passou para R$ 3 bilhões e, quando foi inaugurada, obra somou R$ 9,6 bilhões.

    — Foto: Divulgação/ Henrique Freire/Governo do Estado do Rio
— Foto: Divulgação/ Henrique Freire/Governo do Estado do Rio

Durante as investigações que resultaram na prisão do procurador do estado Renan Saad, a força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro descobriu que o traçado da Linha 4 do metrô foi alterado para deixar a obra mais cara.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), em depoimento, um ex-executivo da Odebrecht relatou que, em 1997, a licitação para a obra da nova linha do metrô dizia que o trajeto deveria ser da estação Uruguai (na Tijuca) até a Barra da Tijuca, passando pelo Jardim Oceânico.

A alteração do traçado, segundo o ex-executivo da Odebrecht, tornaria a obra mais cara por causa do uso do “tatuzão”, nome dado à tuneladora TBM (Tunnel Boring Machine). Para a mudança do traçado, também seria necessária a alteração da metodologia de execução das obras civis, para que pudesse ser utilizada a tuneladora.

Atualmente, o trajeto da Linha 4 faz a ligação da Linha 1 em Ipanema, passando pelo Leblon e por São Conrado, até chegar na Barra da Tijuca.

A alteração do traçado, segundo o ex-executivo da Odebrecht, tornaria a obra mais cara por causa do tatuzão.

Obra 11 vezes mais cara

As alterações avalizadas por Saad encareceram em mais de 11 vezes o valor da obra. Em 1998, o projeto foi orçado em R$ 880 milhões. Quando o ex-governador Sérgio Cabral decidiu retomar as obras da Linha 4, o valor estimado seria de R$ 3 bilhões. Em 2016, quando foi inaugurada, o valor total gasto pelos cofres públicos foi R$ 9,6 bilhões.

A força-tarefa afirma que, somente da Odebrecht, o governo do RJ recebeu R$ 59,2 milhões em propinas relativas à expansão do metrô.

A Linha 4 do metrô liga a Zona Sul à Barra, na Zona Oeste, e foi entregue para os Jogos Olímpicos de 2016.

O procurador Renan Saad, preso nesta segunda-feira, é suspeito de receber R$ 1,265 milhão em pagamentos da Odebrecht para mudar o traçado da expansão do metrô do Rio.

'Tatuzão' usado para escavar túneis do metrô da Linha 4 — Foto: Reprodução / TV Globo
‘Tatuzão’ usado para escavar túneis do metrô da Linha 4 — Foto: Reprodução / TV Globo

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