Presa no lugar da irmã diz que não vai abandoná-la: ‘é angustiante pois sei que ela vai passar por tudo que passei’

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Daniela Estevão Fortes foi presa esta semana em Rio das Ostras e transferida para um presídio no Rio. Danielle ficou 11 dias presa no lugar da irmã acusada de roubo a loja de celulares na Baixada Fluminense.

Depois de ter ficado 11 dias presa por engano no lugar da irmã, a esteticista Danielle Estevão Fortes, 26 anos, diz que não vai abandonar a irmã Daniela Estevão Fortes, 24 anos, presa esta semana em Rio das Ostras, interior do Rio de Janeiro.

Daniela foi transferida para um presídio na capital nesta quinta-feira (27). Danielle disse ao G1 que a família não vai abandonar a irmã. Ela disse que ainda não teve contato com a irmã depois da prisão.

“É angustiante pois sei que ela vai passar por tudo que eu passei. Depois que ela for transferida para o presídio, ainda não sei o tempo que leva para poder receber visitas. Mas não vamos abandonar ela. Nunca”, diz Danielle.
A Polícia Civil disse que Daniela Silva Estevão não demonstrou nenhum arrependimento sobre Danielle ter sido presa no lugar dela em Magé, na Baixada Fluminense.

A esteticista foi solta no dia 18 de junho depois de ser detida por um erro de grafia no nome, e acusada de assaltar duas lojas de celulares em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em 2018.

Apesar de ter conseguido provar a inocência, Danielle ainda não se sente preparada para retomar a rotina. Ela trabalha em um salão de beleza em Magé, mas ainda não voltou ao emprego e diz que não consegue andar na rua devido ao olhar de julgamento das pessoas.

“Me reconhecem, me olham na rua. Parece que eu fiz algo, apesar de eu não ter feito nada. Tudo aconteceu muito rápido, meu irmão morreu, fui presa e agora minha irmã está presa”.

Ela disse que ainda não conseguiu contato com Daniela e ressalta que a família estará de braços abertos depois que ela cumprir a pena.

“A justiça tem que ser feita, ela vai pagar pelo que fez e que vamos estar aqui fora cuidando do filho dela. Ali, é como se fosse uma recuperação de alma. Ela passar por isso tudo e vai sair outra Daniela e vamos estar aqui do mesmo jeito esperando ela”, diz Danielle.
Doações para as detentas
Assim que conseguiu a liberdade, Danielle organizou uma ação social para arrecadar doações para as presidiárias de Bangu 8, unidade que em que ficou presa durante os 11 dias.

A ideia surgiu devido às condições precárias que a esteticista relata ter vivenciado no presídio na Zona Oeste do Rio. Ela disse que uma das principais dificuldades que enfrentou foi a falta de acesso a materiais de higiene para se manter nos primeiros dias na prisão. Segundo Danielle, tudo aconteceu por conta da demora no processo para conseguir visitas no local

“Eu só ganhei uma escova de dente e um absorvente. Depois que tomei banho, eu tive que me secar com a minha blusa e depois vestir a mesma blusa. Tem gente que, assim como eu, chega sem nada. Tem gente que não tem família para receber nada”, explica Danielle.

Com a ação, ela conseguiu arrecadar itens de higiene como pastas e escovas de dente, roupas e toalhas para as detentas. Danielle explica que a iniciativa não tem a ver com a prisão da irmã, mas por solidariedade com as condições enfrentadas pelas presidiárias.

“Faço também por ela, mas eu faço porque eu fiquei lá. Eu senti na pele. Eu sei o que aquelas pessoas estão passando e, independentemente do que fizeram, elas são seres humanos”, disse.

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